Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Insensato

(In)correto com sentimento.

(In)correto com sentimento.

06
Out17

A fotografia que decidi não publicar

PP

 

Só há até já

 

 

 

   Este publicação devia estar acompanhada de uma fotografia. Não, não é a do cabeçalho. 

Uma fotografia de há 3 anos, retratando dois momentos, referentes a uma visita 2 semanas antes ao meu pai e a seguinte. Enquanto a minha mãe o visitava todos os dias, nos HUC, eu saia a correr das aulas, para cuidar da minha avó, já na altura dependente. Ainda em relação à tal fotografia, tive que a trabalhar para que não pensassem que se tratava de um morto. Tanto era o sangue na sua boca, lábios, face... É um pouco semelhante à do vosso lado direito.

Pela 1ª vez não contive as lágrimas à frente dele, após uma saída da minha mãe, num momento de demência. Era notório que estava a servir de cobaia, que aquele autotransplante de medula fora um esquema e que eu nada tinha para colocar certa Prof.ª Dr.ª em tribunal, salvando assim, quem sabe algumas vidas. Ainda hoje tenho alguma dificuldade em perdoar-me.

Perante doentes oncológicos devemos mostrar força. Inclusive aquela que não temos e a que vamos buscar não sei onde. Apesar de ter disfarçado com os olhos claros e óculos uma alergia, a médica assistente fez questão em dizer à minha mãe que eu tinha estado a chorar. Logo à minha mãe, também ela doente oncológica, junto a quem nunca chorei. Ela que sempre se mostrou forte, até ao dia em que ambos caímos (sempre fomos parecidos)...

Sim, neste momento choro. Lembro-me da minha amiga de sempre. A Lenita, quantas vezes pensaram que éramos irmãos, e os desígnios das nossas vidas. Quantos sonhos frustrados. Ainda sonharemos?


Choro por nem todas as formas conducentes à morte serem justas. E digo-vos, o meu pai tinha muitas imperfeições. O nosso relacionamento não foi fácil, não sendo eu rebelde, até que com muita psicoterapia entendi-o. Mas não fingia como tantos(as) outros(as). Ensinou-me a ser justo, humilde, a ele devo grande parte da cultura musical e tantas outras coisas que não soube expressar por traumas de uma guerra injusta, a do Ultramar. Aqui está a fonte de tantos males.


Pautam em mim as injustiças de quem não sabe o que é metade das vivências de um cuidador a tempo inteiro, talvez até parcial, e/ou de doentes terminais. Quantos juízos vazios!

 

 

Atualmente, como cuidador de uma doente de Alzheimer em estado terminal e de uma doente oncológica sinto-me incapaz. Há uma parte do filme que se repete, há o lado psicológico e quem insista em nos reduzir a nada e veja como detentores de uma vida perfeita. Certo é que coitadinhos não somos! Posso relatar alguns momentos de intenso prazer: dar chocolate à minha avó, fazer-lhe bolinhas de sabão, por creme ou trazer-lhe um champô novo. E ainda fala! Fala porque há estimulação e a medicação mais forte é dada nas doses mínimas e só em SOS. Claro que, os gritos de dor arrasam-nos.Com a minha mãe, o não conseguir chegar à origem dos medos, os alertas de outros cancros em nada relacionados com o 1-º; ou seja, aquela presença,...

 

Se no trabalho, nós cuidadores, somos respeitados ou acarinhados?... Não é preciso tecer comentários.

Desde muito cedo, talvez pelo professor ter realizado o mestrado e doutoramento na América, fui ensinado que para as aulas não devemos ir com olheiras, nem a expressar cansaço. Sempre tive olheiras. Aprendi-o nos anos 90, quando comprar um corretor de olheiras não era assim tão fácil e deixava muita gente a olhar para mim. Com isto, quero dizer que evito ir com aspeto de coitadinho ou fazer-me de tal.

 

Ontem, fez 3 anos que nos deparamos com o meu pai, numa cama de hospital, com várias hemorragias, infeções e a delirar.

 

Por razões óbvias, este texto não está bem escrito. Não o vou reler. Não quero.

Quando falam em privilégios dos professores, só me ocorre "selva".

É um direito que me assiste, não é? As Escolas são empresas despersonalizadas, muitas vezes desumanas, com muito show off.

 

Uma realidade a reter: Para muitos, é tão difícil projetarem-se nos outros...😥 Mesmo com a barriga bem grande, valorizam o seu umbigo de tal forma e mentem de forma assustadora.

26
Set17

Naquele semicírculo

PP

   Ao levantar-se sentiu que alguém, talvez de uma outra dimensão, lhe dizia para não sair de casa. 

Refutou aquele que sempre foi um dos seus pontos fortes: o instinto. Talvez porque, longe dali, estaria em contacto com o mundo da fantasia, de pensamentos não filtrados e jogos infindáveis. Por vezes, há que procurar sair da galáxia que não escolheu, repleta de gemidos ou gritos de dor, fragmentos da sua enorme impotência.

 

   Na sua vida, nunca um semicírculo fora tão perfeito. Na 4.ª velocidade, o sentir-se rumo a um abismo, numa sensação que confirmou a falta de vontade de viver. Não teve medo. O veículo rodopiou 180.º no sentido dos ponteiros do relógio ao pisar algum tipo de lubrificante no piso, em nada semelhante aos destinados ao prazer sexual. Talvez a transparência. 

 

   Em hora de ponta, no sentido oposto ao da sua direção, pode contar com a ajuda de um só condutor. Aquele que, ao parar por forma a que nova meia-volta fosse dada, recebeu a buzinadela de quem se encontrava atrás dele, dificilmente sem conseguir ter assistido ao breve espetáculo matemático ocorrido. Os valores e a educação também se observam pelos pequenos gestos. 

 

   Conseguiu seguir, não deixando de pisar segmentos de reta com e sem tracejado. Durante o dia, o instinto inicial adquiriu novo significado. 

 

imagem_dicasfev_destaque

 

 

Viver não é fácil.

Então quando norteado por quem anseia sangue e semear a discórdia...

24
Set17

Voar sem Enguiço

PP

Olhar o quê e procurar o porquê, para quê?

Dos meus olhos brota a inércia de um ódio não consentido, sem ponta de viso. 

 

Naqueles tempos, o amanhã perdeu o sentido. 

Hoje, os loucos controlam o mundo, desde o micro ao macrocosmos, com um nefasto riso. 

 

Já eu, esse ser desprovido de razão, anseio um voo leve e sem sofrimento. 

Agora, aqui ou ali... Sem sinais, lágrimas ou enguiço.

 

 

Na Serra da Estrela by PP @ Flickr

 

16
Set17

Lamento à Incógnita

PP

 

Close Door by PV - Flickr

 

 

   Quantas vezes o sofrimento é mensurável? 

A matemática da vida não permanece objetiva e o conjunto solução é tantas vezes vazio ou infinito. 

 

   Nos acordes das notas de sangue, em Dó maior, a dor da alma arrisca-se a anular as fragrâncias que aquela porta encerra, a par das memórias de uma vida, agora quase sem cor. 

De que adianta gritar, quando o mundo desvirtualiza o que é nosso?

 

Assim, aos poucos se morre.

Na espera.

Na oração.

Da esperança.

 

Temporariamente sós, até àquele lapso da vida que nos remete para a incógnita.

 

 

07
Set17

Contra um mundo de alterações climáticas

PP

   Em Portugal, quase tudo se esquece. Há que dar prioridade à vaidade de um umbigo, exibindo extravagâncias ou alimentando o que pouco importa. 

 

   O Homem não detém o controle nem a chave da Natureza. 

Esqueçam-se os incêndios, menosprezem-se as consequências, entenda-se o aquecimento do planeta com uma repetição do passado ou forma de manter o bronzeado, não se cultive um mundo para os nossos descendentes.

 

 

Adianta falar nisto?

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D

Mensagens

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Redes Sociais

Facebook

subscrever feeds

Direitos

Copyrighted.com Registered & Protected 
OEUB-OLVX-XIX7-YGES

Fazemos parte do