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Insensato

(In)correto com sentimento.

(In)correto com sentimento.

Insensato

16
Set17

Lamento à Incógnita

P.P.

 

Close Door by PV - Flickr

 

 

   Quantas vezes o sofrimento é mensurável? 

A matemática da vida não permanece objetiva e o conjunto solução é tantas vezes vazio ou infinito. 

 

   Nos acordes das notas de sangue, em Dó maior, a dor da alma arrisca-se a anular as fragrâncias que aquela porta encerra, a par das memórias de uma vida, agora quase sem cor. 

De que adianta gritar, quando o mundo desvirtualiza o que é nosso?

 

Assim, aos poucos se morre.

Na espera.

Na oração.

Da esperança.

 

Temporariamente sós, até àquele lapso da vida que nos remete para a incógnita.

 

 

07
Set17

Contra um mundo de alterações climáticas

P.P.

   Em Portugal, quase tudo se esquece. Há que dar prioridade à vaidade de um umbigo, exibindo extravagâncias ou alimentando o que pouco importa. 

 

   O Homem não detém o controle nem a chave da Natureza. 

Esqueçam-se os incêndios, menosprezem-se as consequências, entenda-se o aquecimento do planeta com uma repetição do passado ou forma de manter o bronzeado, não se cultive um mundo para os nossos descendentes.

 

 

Adianta falar nisto?

 

 

 

01
Set17

Música #29 Ké - Strange World

P.P.

 

 

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  Esta música, quando lançada, foi de encontro à minha forma de sentir e estar. Não que muito tenha mudado. Porém, naqueles tempos, sentia-me sufocado e com tantas perguntas sem resposta... Dava entrada no mundo da mentira, traição e competição.

De início, desconhecia o videoclip. Com a instalação da parabólica, que então possibilitou-me a entrada noutras culturas e soniridades, provavelmente no então alemão Viva (ou Viva II ) deparei-me com nova projeção do meu ser. Simples, o videoclip de Strange World vai ao encontro, ainda (!), dos nossos dias.

 

O que pensa a respeito desta música/videoclip?

 

 

O videoclip original

 

 

Quase uma década depois, os HIM realizaram um cover deste tema, o qual não é do meu agrado, mas...

 

 

 

A letra 

30
Ago17

Ontem fizemos parte do Blogs Quentes

P.P.

Sapo Blogs - os quentes

 

 

   Ontem, com um tema da atualidade, analisado pelo ponto de vista de um professor, o Insensato fez parte dos quentes do dia. Ou seja, dos blogues e artigos mais comentados do dia aqui, no Sapo Blogs

Sem qualquer destaque atribuído pela equipa, o artigo Dois Blocos Pedagógicos da Porto Editora - O que realmente importa foi o 9.º mais debatido desta plataforma. E, em meu entender, para isso serve a blogosfera: o debate sempre salutar e construtivo a respeito de diferentes temas.

 

Obrigado leitores e seguidores. 

28
Jul17

Ela e as bolas de sabão

P.P.

   

soap-bubble-1873433_1920 @ Pixabay

 

 

 

 

   Ainda há pouco tempo, as bolas de sabão despertavam-lhe um sorriso.

 

- Que bonitas - dizia.

 

Seguramente, estas bolas de sabão não fizeram parte da sua infância, entre serras e ovelhas, com a Escola tão longe que acabou por não a frequentar. Além do trabalho, tinha de cuidar dos irmãos mais novos. As brincadeiras decorriam à beira rio e pela linha do caminho de ferro.

 

   Naqueles tempos, em plena década de 30, era tão raro ver-se, por aqueles montes de xisto, cabelos de ouro que muitas pessoas, com as suas malas, paravam nos caminhos, e queriam tocar-lhe nos fios de cabelo. Julgavam tratar-se do metal precioso, por todos ambicionado. Ela tinha medo de desconhecidos. Fora preparada para não confiar no bicho homem e respetivas intenções. 

 

   Frequentes eram as inundações, dada a subida das águas do rio. E o caudal tornava-o perigoso pois corria com raiva, escondendo aquelas rochas traidoras. Da aparente abundância, em pleno Estado Novo, num ápice ficava-se sem nada, à mercê de um Deus omnipotente. Um dia, ao dormir, não se apercebeu da roda de fogo que a rodeava, lançando vários braços em tons de vermelho laranja que a queriam diabolicamente abraçar. Os fios de ouro que cobriam a sua cabeça e deslizavam pelas costas deviam ser entregues ao seu mestre. Contudo, num ato de coragem, foi socorrida atempadamente. Da casa nada restou. Uma vez mais, sem nada. O rio ali ao lado e o caminho de ferro. Das cinzas, a família teve de renascer. Tempos em que o espírito de entreajuda e camaradagem predominavam, apesar dos nadas materialistas que se apontam à época.

 

   Estes momentos permaneceram no seu interior por mais de 8 décadas. Descobrimo-los ao associar factos, durante os longos períodos em que de si parece emergir uma outra pessoa, de voz forte e sempre desesperada. Durante tempos, as bolas de sabão e um creme de rosto foram acalmando este ser assustado ou apavorado.

 

   Com o decorrer do tempo, o esquecimento mais significativo. Agora, já não há fogo, cheias, incêndios, terrenos que se alagam, nem cremes ou bolas de sabão que a façam sorrir. À semelhança das suas memórias, também o seu corpo vai encolhendo e as frases dão lugar a palavras. Há o rebentar da bola de sabão, onde também nós permanecemos, numa ali ao lado, persistindo e alimentando a ilusão.

 

 

Estes são alguns fragmentos da vida da minha avó, Doente de Alzheimer

#doençadealzheimer

 

 

22
Jul17

Poesia #1 Eu e Ela

P.P.

flowers-677371 @ Pixabay

 

 

 

Cobertos de folhagem, na verdura,
O teu braço ao redor do meu pescoço,
O teu fato sem ter um só destroço,
O meu braço apertando-te a cintura;

Num mimoso jardim, ó pomba mansa,
Sobre um banco de mármore assentados.
Na sombra dos arbustos, que abraçados,
Beijarão meigamente a tua trança.

Nós havemos de estar ambos unidos,
Sem gozos sensuais, sem más idéias,
Esquecendo para sempre as nossas ceias,
E a loucura dos vinhos atrevidos.

Nós teremos então sobre os joelhos
Um livro que nos diga muitas cousas
Dos mistérios que estão para além das lousas,
Onde havemos de entrar antes de velhos.

Outras vezes buscando distração,
Leremos bons romances galhofeiros,
Gozaremos assim dias inteiro,
Formando unicamente um coração.

Beatos ou apagãos, via à paxá,
Nós leremos, aceita este meu voto,
O Flos-Sanctorum místico e devoto
E o laxo Cavaleiro de Faublas...

 

Cesário Verde, in 'O Livro de Cesário Verde'

 

 

10
Jul17

O preconceito e a depressão

P.P.

   Confesso que não mais tinha-me ocorrido escrever acerca da depressão. Esta é uma perturbação mencionada na DSM V e nas que a antecederam. Muitas vezes a referi e revelei os seus estados ao longo de publicações no Sonhos Desencontrados.

 

Aquele Dia by PP com Samsung S7 Edge

 

 

 

   Se de início não soube reagir à morte do meu pai, com cancro terminal, dando lugar a esta perturbação com burnout associado, do meu contexto faziam e fazem parte a mãe, doente oncológica e a avó, em estado quase terminal da Doença de Alzheimer. A escrever e a errar, entendi que nos caminhos de Alice no País das Maravilhas, tinha de encontrar um caminho. Aceitei que muitas vezes me perco, dado fazer parte de mim, por um lado, dada a herança genética e por outro, devido a acontecimentos na infância e adolescência. Aceitei ainda, embora nem sempre seja fácil que, por vezes, apresento períodos algo sombrios, seguidos dos "iluminados". Sou assim, não posso nem devo ser parasita de outros e tenho que saber viver com as minhas deficiências. Sim, todos somos portadores de deficiências. Não se considerem a última bolacha do pacote. Pelo exposto, e ao trabalhar com crianças portadoras de autismo associado à deficiência mental, dos 5 aos 14 anos, seguindo-se o 1.º CEB, senti uma luz há muito perdida. Depressão deixou de fazer parte do meu quotidiano. 

 

   Refira-se que, neste ano, o Dia da Saúde, a 7 de abril, por indicação da OMS, teve como lema Depressão Vamos Falar. Tal é o crescimento do número de portadores da doença... e elementos preconceituosos em relação à perturbação mencionada. Com que direito? Com que abordagem científica? 

 

   Aqui não vou escrever acerca da sintomatologia, causas, tratamento, prevenção, etc desta doença, nem vou continuar a despir-me perante vós. Queria eu ser a última bolacha do pacote, mas não o sou! Muitos documentos estão disponíveis  no portal SNS e explicações, acessíveis a todos, encontram-se na Oficina da Psicologia. Basta clicar nas hiperligações. Ambos os portais devem ser consultados, dada a informação cabal.

 

   Bem, afinal terei que me despir um pouco mais... Não se preocupem. Evitarei mostrar as gorduras localizadas e outros elementos que não me permitem enquadrar nos grupos dos bonzões ou dos bonitões

A minha madrugada do dia 9 foi má. Acordei com sentimentos depressivos. Isto tem vindo a ocorrer há algum tempo. Aquele apetite excessivo e descontextualizado, os pesadelos, a autocondenação por não ter resistido à gula... Porém, é importante saber que estes estados ou quando nos sentimos deprimidos, tal não significa depressão. Pode sim tratar-se de  estados "conducentes a". 

No dia 10, numa conversa pelo Whatsapp, com alguém que tenho vindo a travar conhecimento, desenvolveu-se o seguinte diálogo.

 

Conversa com R no whatsapp - arquivo pessoal

 

Uma vez que a visualização da imagem não é a ideal, destaco as ideias principais, com correção ortográfica.

 

 

-  Depressão é um conceito que eu não entendo! 

Expliquei, de forma bem simples, em que consiste.

Surgiu a resposta:

- Eu chamo a isso falta de ocupação ou em que pensar.
Não compreendo esse estado de estar. Eu acho que o estado de cada um é vontade própria.
Um "depressivo" quer estar assim... condeno!

Novamente tentei reforçar a minha explicação anterior, alertando para a importância da projeção para compreendermos os outros.

- O que eu vejo num depressivo ou é falta de ocupação, ou falta de juízo!

Respondi "lamento", ao que, após leitura da minha resposta, fui bloqueado.

 

   Não houve tentativa em compreender, capacidade de projeção e o terminus da conversa foi de todo infantil: o bloqueio.

Confesso ter ficado chocado com os argumentos infundamentados de alguém ainda novo, na casa dos trinta, e a não tentativa em aprender/abrir horizontes. Esta postura assume um lado aberrante pois, perante uma pessoa mais sensível, como já fui no passado, doente ou bem mais doente (sobretudo estas!), o agravamento do seu estado fazer-se-ia sentir de imediato. Sem consequências. Afinal, o caminho mais fácil é abandonar ou bloquear.

Não é por acaso que 13 Reasons Why é um livro e série para educadores, pais e filhos. A este respeito escreverei futuramente.

 

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