Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

10
Fev19

A correção do teste de inglês e a luta pela igualdade de género

por P. P.

 

O teste de inglês

    Ainda não entendi a finalidade da notícia A Correção do Teste que se Tornou numa Luta pela Igualdade de Género, na Escola Secundária de Santa Maria da Feira. No estágio, somos preparados por forma a evitar perguntas que suscitem respostas que possam pôr em causa o rigor científico, as religiões, ideologias políticas, ... Em suma, as diferenças. Por exemplo, em ciências naturais não devo colocar a pergunta "Indique três seres vivos". A forma de evitar constrangimentos passa por dar uma imagem ou um texto, solicitando que o aluno "Transcreva o nome de três seres vivos". Também somos preparados a lidar com o erro, mostrando que somos humanos, pedindo desculpa caso nos enganemos, passando à respetiva retificação, na prova do aluno. Pessoalmente, caso um aluno com uma resposta errada me alerte para o facto de ter colocado um "certo", dada a minha forma de ser e estar, não o penalizo. Quero que a sua atitude assertiva e coragem sejam valorizadas. Por outro lado, adoro perguntas que suscitem discussão. 

    Há uns anos atrás, recordo Bárbara Guimarães como capa de uma revista, na qual se fazia alusão ao bom gosto da apresentadora, adotando estilos masculinos, dos quais faziam parte, por exemplo, as gravatas. Eis-me ainda mais confuso: um boné, uma gravata e os collants, dependendo do estilo, não são acessórios para ambos os sexos? Curioso, uma vez mais, preocupa-me o conteúdo da pessoa, enquanto ser social, ao invés das roupas. Estas, são motivo de preocupação quando denotam casos de pobreza. 

    Espero que este não tenha sido um erro de correção que, por orgulho, a professora se recusou a assumir. Todavia, registo, de forma positiva, a resposta dada pela diretora da Escola Secundária de Santa Maria da Feira, Prof.ª Lucinda Ferreira, a qual garantiu que se o aluno "tivesse comunicado a situação, talvez pudesse ter averiguado o contexto" e que não lhe compete "averiguar algo que não foi comunicado". Destaco, dado ir ao encontro do Perfil do Aluno à Saída do Ensino Obrigatório e de acordo com o noticiado pela TVI24,  "se promovemos que os nossos alunos não sejam amorfos e pensem pela sua cabeça, não o posso condenar", revelando ainda que "gosta de ter alunos que pensam pela sua cabeça e têm sentido crítico".

    Porém, saliento, há algo nesta notícia, se podemos considerá-la como tal, que parece-me inusitado. Até porque envolve um partido político.

    Em tempos, também no 11.º ano, a professora de Português colocou-me errado numa resposta semelhante à considerada como a melhor. "Por que razão estás com essas trombas, P. P.?" Como insensato que sou respondi: "Não querendo pôr em causa a resposta da colega X, não entendo a razão pela qual a minha está errada. Passo a lê-la" (é certo que a li sem autorização). A resposta estava correta e nunca foi identificada como tal. O problema residia numa aula passada, durante a qual disse não considerar aquele pedaço de gente competente, dado deixar os alunos com dificuldades de parte. Quem sabe não esteja a ler isto. Ela que tanto se orgulhava do marido advogado, com escritório na cidade dos doutores, e que felizmente foi destacada, naquele ano, por gravidez de risco, provavelmente por causa da suma estupidez. Eu, P.P., aquele que sempre foi "o leitor" da aula. E assim, condiciona-se o futuro de muitos. Esta foi uma das situações pelas quais nunca quis ser professor do ensino secundário, com o devido respeito pelos bons professores deste nível de ensino, pois também os tive. Infelizmente, em pequeno número... 

    Numa outra perspetiva, alguns dos problemas suscitados pela igualdade de género tornam-se, muitas vezes, fúteis e ridículos, levando a que muitos não respeitem quem merece a nossa atenção, sobretudo numa época tão complexa quanto a da adolescência. Este não é o caminho.

 

[Atualização, às 15h 02 min.]

Aqui, pode ver a reportagem do Porto Canal, mas caso queira ler a experiência de um professor, em 2009, siga esta hiperligação

5 comentários

  • Imagem de perfil

    P. P. 11.02.2019

    Mas as respostas estão corretas. Para evitar respostas dispares, poderia ter utilizado a referência à peça de vestuário mais utilizada, por exemplo, por crianças. Mesmo assim, eu colocaria both no caso do boné e meias/collants. É uma pergunta como a que escrevi acerca dos seres vivos, na qual tem de aceitar o ponto de vista dos alunos.
  • Imagem de perfil

    mami 11.02.2019

    desde que se aceite a diversidade está tudo bem ;)
  • Imagem de perfil

    P. P. 11.02.2019

    Repara, por exemplo, no boné. Quem é que nunca o usou, independentemente do género? A trabalhar numa zona fria, como pode dizer que os collants são usados como peça de roupa feminina?
    Fez-me lembrar a minha 1.ª professora de Port, no 11.º ano. E a minha resposta estava super completa e igual à da colega. O orgulho remete à insensatez. Pode até ter-se enganado a corrigir (acontece-me tanta vez), mas o tal orgulho… A falta de democracia e o não gostar de ideias diferentes das suas, na sala de aula. Lamentável.
  • Imagem de perfil

    mami 11.02.2019

    És um bom professor!
  • Comentar:

    CorretorEmoji

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

    Pesquisar

    Mais sobre mim

    foto do autor

    Arquivo

      1. 2019
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2018
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2017
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D

    Sussure-nos

    Subscrever por e-mail

    A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

    Direitos

    Ainda que procure uma utilização cautelosa e não abusiva de textos, imagens e sonoridades, poderá haver lugar à utilização indevida de obras objeto de direitos de autor. Contudo, apesar do recurso às hiperligações de origem, sempre que a legislação o implique ou seja devidamente informado, de imediato procederei a reajustes. Os textos e fotografias sem referência bibliográfica são da minha autoria.

    Wook