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Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

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Baywatch: SOS Matemática

Janeiro 16, 2019

P. P.

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    Ah, a tão temida matemática. Quem não se lembra de tremer cada vez que a data da próxima ficha de avaliação de matemática se aproximava? Muitas coisas podem ter mudado no Sistema de Ensino Português, mas o medo da matemática permanece. Continuamos a ter maus resultados nos exames internacionais. Em 2018, mais de metade dos alunos do 9º ano tiveram negativa nesta disciplina.

    Para muitos, parece que somos cronicamente incapazes de tirar boa nota a matemática - assim como os espanhóis parecem incapazes de dominar o Inglês. Será que os alunos Portugueses não conseguem aprender e… pronto, não há muito a fazer? Claro que não. Os alunos Portugueses são tão capazes como outros quaisquer. Algumas bases deste problema residem nas atuais diretrizes do Ministério da Educação e na implementação de currículos desajustados ao nível etário dos alunos. Por outro lado, a falta de investimento na educação e ideias preconcebidas a respeito desta disciplina. Como exemplo, o facto dos pais terem sido maus alunos nesta ou noutra disciplina, não significa que os filhos também o sejam. A persistência é muito importante.

    A forma como olhamos para a matemática - esse obstáculo invencível - é só o começo deste problema crónico. Se alguém vos disser que algo é difícil, vão começar com receio logo à partida. E ainda só estão na casa zero! Depois, é preciso reservar espaço para o resto. 

    Ao longo do percurso dos nossos alunos muitos problemas estão à espreita. Infelizmente, nem todas as escolas têm recursos TIC disponíveis para o ensino desta e outras disciplinas, os professores não têm muito tempo para criar novos materiais e implementar diferentes tipos de avaliação, valorizando-se o preenchimento de documentação dúbia e desnecessária, nem todas as escolas têm crédito horário para aulas de apoio,...

    A ver todo este périplo estão os explicadores de matemática. Quais nadadores-salvadores na praia, há dezenas de explicadores do ensino secundário em Lisboa e no Porto prontos a saltar para a água e salvar os alunos em apuros. Antes, este era um privilégio apenas de alguns - só as famílias com algum desafogo podiam pagar explicações - mas agora tornou-se mais acessível. Com meia-dúzia de cliques, conseguem encontrar um explicador para os vossos filhos.

    Claro que continua a ser um investimento, mas está ao alcance de muitos mais bolsos. E acreditem que é um investimento que vale a pena: deixam de fugir da matemática, ajuda a que se preparem convenientemente para os exames, e podem escolher a área que realmente querem. A internet tem coisas fantásticas, não é?

 

Artigo pratricionado e não remunerado pela Fixando,  devidamente reajustado por mim

Fixando Porto e Lisboa

3 comentários

  • Imagem de perfil

    P. P. 17.01.2019

    Muito obrigado pelo teu testemunho e partilha.
    Biologia passou a ser Geologia. Se não tivermos um bom professor, como aconteceu comigo durante o curso, é um verdadeiro pesadelo pois é memorizar, memorizar, memorizar… E a parte estúpida de tanto se falar no estrangeiro quando existem tantas evidências do estudado na Serra da Estrela? Foi a disciplina que odiei, que mais tempo demorei a fazer (é verdade, a minha frontalidade e a personalidade da professora não combinavam) e lecionei assim que comecei a trabalhar. Quando vi que tinha 7.º ano… Na altura, o programa era muito parecido com o do secundário e como exigente que sou (ou era?), sempre me orientei pelo que está para vir. Participar em "caminhadas"/formações levadas a cabo pelos professores da UC foi dos meus maiores prazeres. Só nas casa dos 30, vi uma falha!!! Se puderes, visita e averigua as atividades do CISE em Seia.
    Em relação ao ensino do Português, dado ser da área oposta, não me sinto à vontade para falar. No entanto, pelo que constato, "como ter tempo para realizar exercícios de Física e Matemática com tantas obras para ler, em simultâneo?". Qual a importância de muitas delas para quem segue o ramo da Ciências exatas ou económicas? Ler não deve ser estimulado? À semelhança dos nossos tempos, o programa destinada à área de letras não deve ter ligeiras alterações, perante o das ciências indicadas? Uma obra não deve ser saboreada? Digo tudo isto porque, no 10.º ano tive um professor fantástico. Brincávamos com os textos, fazíamos teatro,... Na 2.ª metade do 11.º também tive outra professora magnífica. Saborear Os Maias e Caminhos da Minha Terra, é outro nível.
    O caso da tua filha já faz parte da "minha praia" e vai ao encontro do que respondi à Rute. Não só a Matemática. Repara no programa de estudo do meio, do 3.º ano. Os conteúdos ficam realmente sabidos? Para quê um programa tão longo, com temáticas aborrecidas até para nós? Em Português, dependendo do livro adotado, há textos horríveis (ex: livro do 4.º ano da Santilanna). Já na minha área, para quê um 3.º ano tão complexo? As retas para ensinar a adicionar e subtrair são uma boa metodologia, sobretudo quando o aluno não tem o conceito de número? No 4.º ano, para quê ensinar a tornar uma fração irredutível sem recorrer ao M.d.c., entre outras metodologias que encontro no livro Alfa? Já no 5.º, matéria que aprendi no 9.º ano e não mais a usei/estudei, como é o caso de converter graus, minutos e segundos em graus e vice-versa. A técnica parva de determinar o M.d.c. A geometria tão distante da capacidade de abstração dos miúdos… Nesta disciplina, seja no 1.º ou no 2.º Ciclo, quando sou o titular, ao dizer "Silêncio, muita atenção" (odeio fazê-lo) são condições necessárias para que não percam um qualquer passo. Obrigar tão grande nível de concentração e abstração a uma criança é justo? Não, não me parece. Depois, ao lecionar CN não sou o mesmo. "O que pensas de…", "Confronta a tua ideia com a do P", "Hoje trouxe-vos um exame médico para vermos a importância do que estamos a aprender" ou "...um estudo para interpretarmos pois já somos crescidos".
    Defendo o uso de tablets para ensinar e levar além. Só que, a ideia dos miúdos é que estes servem para brincar. Por vezes, não acreditam que o meu não tem um único jogo. (ups, aqui fugi um pouco à temática, mas as tuas palavras entusiasmaram-me)
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    P. P. 17.01.2019

    Esqueci a parte da linguagem matemática. Desculpa.
    Atualmente, recorre-se à verdadeira (finalmente). Esta será útil, por exemplo, e pasme-se, na resolução de equações e sistemas de equações.
    Já no ramo da geometria, existem alguns "preciosismos" que, embora corretos, parecem-me que podiam ser lecionados mais tarde. Por exemplo, vou dar-te a definição de ângulo que costumo ensinar e que os alunos entendem. "Porção do plano limitada por 2 semirretas (lados do ângulo) com um ponto comum (vértice)" Em muitos manuais, não é esta a definição e nem todos entendem.
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