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Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

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Entre a guerra dos pais e o orgulho

Novembro 29, 2018

P. P.

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    Quando existem filhos, Há que ponderar Quando o Melhor a Fazer é o Divórcio.  Sobretudo, se estes forem pequenos ou adolescentes. 

   Ninguém é de ninguém, pelo que lutar de forma desonesta pela custódia dos descendentes, não atender aos seus sentimentos, suas motivações, torná-los elementos de confronto e não propiciar um ambiente tranquilo, com algum diálogo e decisões conjuntas não contraditórias, por parte dos pais, não se pode tratar de amor. O egoísmo individual supera sentimentos nobres que os progenitores devem manifestar em relação às suas crias.

 

   Num destes dias, sabendo que os pais estiveram a discutir a sua custódia no tribunal, as dores de barriga, a desorientação e o desespero de X foram evidentes. A certa altura, vomitou. Às auxiliares pedi que, naquele dia, apesar de todas as partidas que lhes prega, num misto de miúdo reguila e inteligente, nele vissem um filho. E assim foi. Na aula, chamei-o para junto de mim, por vezes sentei-o na minha perna e não exigi que acompanhasse a matéria lecionada. O facto de estar perto do professor, ainda que de apoio, e exercer tarefas de suporte à prática do docente, levaram-o, por momentos, a esquecer a dolente incerteza, a não chegada do professor titular, de quem esperava uma resposta em relação ao incerto. 

    Naquela sessão, X não foi ouvido. Nele, não é evidente aquilo que pretende. Gosta dos progenitores. Nesta ou naquela manhã, pouco importa, chegou-nos atrasado, relativamente agressivo e a queixar-se da vida. Uma vez mais sentei-o na perna e tentei explicar-lhe que nunca nos devemos sentir as pessoas mais infelizes do mundo. Dei-lhe o meu exemplo de vida e o de tantos alunos que já tive, inclusive aqueles aos quais levei escondido produtos de higiene básica. Aqueles que com o apoio da professora de Ciências, partilhávamos o lanche. Aqueles em que os cinco irmãos e os pais tomavam banho na mesma água, aquecida uma só vez, numa terra de muito frio, numa casa sem aquecimento. 

 

   Como aliviar a dor de X perante a minha hipocrisia ao saber que, em função do decidido pelos órgãos competentes, facilmente liderará grupos com comportamentos não assertivos, que o mundo das toxicodependências aproximar-se-à como um nevoeiro suave que nos acaricia o rosto e que, como tal, provavelmente e não tirará partido das magníficas competências que detém?

 

   Nesta manhã ou na outra chegou-nos com um nível de ansiedade superior ao normal. A certa altura, após ir à casa de banho, confidenciou-nos "ter-se sujado". Por sorte, está numa escola onde há sempre roupa para eventuais emergências.  

 

   Apesar das relações humanas, sobretudo entre adultos, não serem fáceis, até que ponto é justo desencadear tamanho grau de sofrimento, sinais e sintomas? Para quando uma escola de pais, também útil para outros aspetos, na qual se ensine que amar um filho não implica obsessão, vingança ou a perceção de que este é um objeto?

 

   Cultivemos a tolerância.

Nem que seja por eles!

 

 

 

2 comentários

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    P. P. 30.11.2018

    Também concordo com a opinião da Marta. Até porque, pessoalmente vivenciei episódios de violência doméstica, devidos a traumas da Guerra do Ultramar.
    Obrigado pelas tuas palavras.
    Há diretores de turma que agem nesse âmbito e outros não. A tarefa não é fácil. Talvez devido à minha impulsividade, creio nunca ter ignorado nenhum caso. O mais estranho que vivenciei foi, ao colocar o casal, sim ainda casados, num caso em que o progenitor não gostava do filho nem da mulher, querendo retornar a um país tropical para conseguir novas amantes, aos berros frente a mim e à minha secretária. Se os berros tivessem servido para chegar a um consenso… Terminei por dizer-lhe que a mulher não servia como saco para despejar espermatozoides, que dada a idade dele facilmente sentiria dores na testa com uma mulher mais nova e que causava-me repúdio pela relação com o filho. Tratava-se de um casal à beira do abismo e que não continuaria na mesma localidade. Tenho saudades deste P.P. sem papas na língua. Isto porque, não obstante a terminologia mais ou menos agressiva utilizada, há diretores que ao saberem que estamos a intervir junto a qualquer processo de ordem social, chamam-nos ao gabinete, apontando que essa não é a nossa função. Recordo que tal ia acontecendo quando me envolvi no esquema de prostituição de um aluno. No dia em que ia ser chamado "à atenção", eis que a irmã revelou ser drogada e acordar com diferentes homens, consoante os dias. Ao invés de me atacarem… Se ninguém age, como progredir? Como lutar pela justiça? Por outro lado, quando não se age, em meu entender, somos criminosos.
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