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Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

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Super Nanny Portugal chegou e revolucionou

Janeiro 15, 2018

P. P.

 

Super Nanny Portugal

 

 

   Finalmente, ontem, chegou até nós a versão Portuguesa do programa Super Nanny, pela SIC. Há muito, acompanho a versão francesa, com casos deveras complicados. Neste "documentário" são retratados problemas reais, com os quais pais e professores se confrontam, fruto das tendências e valores da educação nos nossos dias; sem esquecer alguns pecados do passado, associados aos "traumas" que Psicologia cultivou.

 

   À semelhança de quem reconhece a necessidade de procurar a ajuda de um profissional de saúde mental, por forma a encontrar o equilíbrio, admiro os pais que assumem a dificuldade no controle das reações, impulsividade e educação geral dos seus descendentes. Não é fácil! Claro que, num futuro próximo, estas crianças, já adultas, ver-se-ão retratadas e poderão por em causa a respetiva imagem ou eventual uso/abuso da mesma. Acredito que em muitas situações, só um ato de amor pode ter levado muitos destes pais, independentemente do caché,  a recorrer à ajuda de uma coach especializada neste caso, a psicóloga clínica Teresa Paula Marques . Se porventura, algumas das situações forem representadas, o importante é o que podemos aprender com elas. 

 

   Nas redes sociais, nomeadamente na página do Facebook do programa, as reações negativas já se fazem sentir. Poucos têm noção de que a grande maioria dos comportamentos em análise, neste primeiro episódio, são-no também, na Escola. Ou seja, colegas, professores, auxiliares de ação educativa e outros pais estão a par destes e de outros comportamentos. As tentativas de agressão e o "tu não mandas em mim" são frequentes. Claro que, na sua maioria, associadas a um forte suporte por parte dos pais, que já perderam o controle da situação, ainda não a identificaram ou não distinguem o mimo da implementação de regras. Várias são as situações em que não é fácil dizer "Não!"

 

   Parecem-me importantes a componente didática do programa e as técnicas partilhadas, que poder-nos-ão vir a ser úteis enquanto pais, educadores e membros da comunidade educativa. Por outro lado, a tomada de consciência de como se encontra o sistema de valores, respeito e integridade, no nosso país. Noutra dimensão, as nossas Escolas, que limitam e condicionam o tempo para brincar, namorar e interagir destas crianças e jovens.

 

   O que aconteceu para que estes pais se tenham perdido na educação dos seus filhos?

Saliente-se, aqueles que não reconhecem as dificuldades, até porque não dá jeito. Recordo um caso, em que uma mãe, quando confrontada com a falta de regras impostas à (ao) sua(seu) educanda(o), desviava a conversa para as práticas sexuais daquela ou outras noites, sem que nada lhe tivesse sido perguntado a respeito. Sim, isto é real. Para outros, a responsabilidade é exclusiva da Escola. Temos ainda aqueles que, ao impor regras, receiam que os filhos deixem de gostar deles. Não podemos esquecer, crianças que precisam de medicação, por forma a controlar algumas deficiências ou comportamentos, mas os pais optam por gastar os subsídios atribuídos para o efeito, em outros "bens". Algo que acontece, com frequência, por exemplo, no caso de portadores de PEA, vulgos autistas. 

 

   Quais são as gerações que pretendemos/ queremos?

 

Para finalizar, não posso deixar de assinalar casos em que a autoridade dos pais é posta em causa, por entidades dúbias. O mesmo acontece, diariamente, com a dos professores, auxiliares de educação e... agentes de segurança. Um alerta para muitos pais divorciados: os filhos não são bonecos, mas pessoas em formação, a diferentes níveis. Desautorizar, bajular ou fazer prevalecer o poder económico, de diferentes formas, não conduz um ser a um desenvolvimento saudável.

 

  Vivemos num país de aparências, falsos valores, de parca modéstia e gerações à deriva. Todos temos direitos, mas não deveres:  a democracia está doente!

 

 

#supernannyportugal

Não deixe de ler 14 Regras Base para a Educação das Crianças

3 comentários

  • Imagem de perfil

    P. P. 15.01.2018

    Obrigado pelas palavras tão gentis.
    A exposição deixa-me também um pouco de pé atrás. Na televisão francesa, por exemplo, nas reportagens, as caras das pessoas que passam na rua, por exemplo, são disfarçadas. Mas acabam no exagero.
    Nestes casos, quero acreditar que não se sabe a quem recorrer ou que não há técnicos na região. Sim, só passados 20 anos, encontrei um psicólogo clínico com 5 especializações. E encontrei-o graças a uma colega, pois caso contrário... Do passado, a medicação que podia ter evitado, o futuro que podia ter sido risonho...

    Na escola, tratando-se de casos reais, estes são mais do que conhecidos. Acredite! Por outro lado, seguramente a professora conduzirá o grupo turma no sentido de que "a A participou num programa de televisão".
    Adoro a versão francesa, na qual já vi casos de toxicodependências e ódio dos jovens para com seus pais, por questões passadas mal compreendidas ou por não terem sabido agir naquela altura, no passado. As intervenções, caso nas escolas se criassem espaços de coaching, podiam ser resolvidas neste ambiente. Professores bem intencionados conseguem levar a água a bom porto. Muitas das intervenções que vi no programa são efetuadas por técnicos de artes marciais ou outras. Recordo um jovem a partir tijolos enquanto expressava os motivos da sua fúria frente à mãe. Esta, respondendo, quando perante expressão de fúria recorria à mesma técnica.
    Adoro psicologia...
    Definitivamente sei ter errado na profissão, pois esta é a área que fica entre humanidades e científicos, isto de acordo com o Prof. Dr., atendendo ainda ao meu perfil
    Por sorte, em tempos passados, estive numa onde podia dar asas "às minhas ideias", devidamente fundamentadas. Também é certo que nas escolas devíamos apenas ensinar, mas se, em alguns casos, nos deixassem ir mais longe ...

    Beijo grande.
  • Imagem de perfil

    Fátima Bento 15.01.2018

    Não sei dizer-te há quantos anos parei, mas trabalhei com Associações de Pais durante 8 anos e desses, pelo menos metade foi em coaching parental, com o apoio da Federação Distrital de A.P (da qual eu também fazia parte), do Centro de Saúde mais "à frente" em matéria de inovação do meu concelho - os cursos eram coordenados por um dos Médicos de Família desse centro, bem como o espaço de formação para formadores cedido pelo mesmo. Para além disso , tínhamos o apoio do IDT, de psicólogos, e de entidades profissionais e particulares que agora não me ocorrem. Ainda, organizávamos palestras e tivemos alguns convidados fantásticos, como o Professor José Morgado, docente do ISPA (honestamente não sei se tem cátedra ou não). O máximo que apareciam eram 5 ou 6 pais. E obriguei o meu marido a ir quando foi com o Professor Morgado, pela vergonha de irem tão poucos.

    Não sei se entretanto mudou muita coisa... penso que terão passado 8 anos, por aí, mas se os pais continuam com o índice de participação que mostravam, não há qualquer necessidade de espaços de coaching nas escolas...

    É triste? É. As palestras mais atendidas (e não foram feitas em escolas) eram aquelas em que o orador era o então presidente do IDT de Setúbal, em parte porque o homem. literalmente parava o transito. As mulheres à volta dele nem o deixavam andar (não, não estou a exagerar, lembro-me particularmente de uma Feira de Saúde no Montijo em que ele vinha pelo corredor, "enxame" feminino à volta, eu estava na ponta a pensar "credo, deus me livre..." e ele a enviar-me olhares de socorro e eu erguer as mãos em gestos de "não posso fazer nada!". Nessa palestra não houveram cadeiras suficientes...
    As pessoas são bichos estranhos...
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